Pombos e maritacas em condomínios: Como resolver o impasse sem agredir a natureza
Pombos e maritacas em condomínios:
Como resolver o impasse sem agredir a natureza
*Redação Informe Síndico
A convivência entre moradores e aves em condomínios divide opiniões e exige conhecimento técnico. Enquanto o canto das maritacas encanta alguns, a sujeira provocada por pombos gera preocupação sanitária. O grande desafio dos síndicos hoje é resolver os transtornos causados por essas espécies sem desrespeitar a legislação ambiental vigente.
As leis brasileiras proíbem qualquer tipo de agressão, envenenamento ou captura não autorizada de animais silvestres e sinantrópicos. A saída legal e eficaz envolve barreiras físicas, mudanças de hábito dos moradores e manutenção constante das estruturas.
O Desafio de Cada Espécie
- Pombos-domésticos: Considerados animais sinantrópicos (adaptados a viver junto ao homem). Suas fezes deterioram fachadas e transmitem doenças como a criptococose.
- Maritacas (Psitacídeos): São aves silvestres protegidas por lei federal. Costumam roer fiações elétricas, tubulações de gás e forros de gesso para construir ninhos.
O que Diz a Lei?
A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) protege estritamente as maritacas. Matar, perseguir ou maltratar essas aves é crime inafiançável.
No caso dos pombos, a Instrução Normativa nº 141 do Ibama regula o controle. O extermínio por veneno (como chumbinho) é ilegal. A eliminação química coloca em risco a vida de animais de estimação e de crianças do próprio condomínio.
Estratégias de Manejo Seguro e Permissões
A prevenção baseia-se em quatro pilares principais, conhecidos como os “4 As”: eliminar o Acesso, o Abrigo, o Alimento e a Água das aves.
- Barreiras Físicas e Repelência
- Telas e Redes: Instalação em vãos de caixas de ar-condicionado, caixas-d’água e áreas de serviço.
- Espículas Plásticas: Fixação em parapeitos de janelas e molduras de fachadas para impedir o pouso, sem ferir a ave.
- Fios tensionados: Cabos de aço finos esticados sobre muros que desestabilizam o pouso dos pombos.
- Gel Repelente: Produto pastoso não tóxico que causa desconforto tátil nas patas das aves, afastando-as do local.
- Manejo de Ninhos e Ovos
- Bloqueio Prévio: O fechamento de forros e telhados deve ser feito antes do período de reprodução.
- Remoção Segura: Se houver ninhos ativos de maritacas com ovos ou filhotes, o condomínio deve aguardar a saída natural dos filhotes (período de voo) antes de fechar o vão.
Uso de Armadilhas Sonoras no Controle de Pombos e Maritacas
O uso de armadilhas e repelentes sonoros é uma estratégia sustentável para afastar pombos e maritacas de áreas urbanas e agrícolas. O sistema funciona por meio da emissão de ultrassons (inaudíveis para humanos) ou de sons que imitam predadores naturais e gritos de alerta das próprias aves.
Ao perceberem o som de perigo, as aves abandonam o local por instinto de sobrevivência. Essa metodologia é ecológica, não causa danos físicos aos animais e evita o uso de produtos químicos nocivos.
Para garantir a eficácia do sistema, recomenda-se alternar os tipos de som e os horários de disparo. Isso impede que os pombos e as maritacas se acostumem com o ruído e ignorem o alerta.
A conscientização dos moradores é fundamental para o controle de pragas urbanas e aves em condomínios. Para que a estratégia seja eficiente, fica expressamente proibido alimentar as aves, visto que o hábito de jogar sementes ou restos de pão em janelas e áreas comuns atrai bandos permanentes para o local. Além disso, é indispensável o cuidado com o descarte correto do lixo, mantendo as lixeiras centrais sempre bem vedadas para evitar que esses animais encontrem fontes fáceis de alimento.
O uso de placas de sinalização que recomendam não alimentar as aves é uma das ferramentas mais eficientes para reforçar as regras do condomínio de forma visual e constante. Elas servem como um lembrete diário para moradores e visitantes, agindo diretamente na prevenção do problema.
O papel do síndico e dos gestores prediais é fundamental na contratação de empresas especializadas em controle integrado de pragas urbanas e biólogos, profissionais habilitados para emitir laudos técnicos e realizar intervenções estruturais seguras no condomínio. Ao adotar essas medidas coletivas e profissionais, a gestão não apenas garante a saúde pública e o equilíbrio do ecossistema condominial, mas também protege a administração de processos judiciais por crime ambiental, assegurando uma resolução legal, eficiente e segura para toda a comunidade.
*Por Redação Informe Síndico com colaboração de: Saulo Bravim – Técnico em Agropecuária –
Responsável Técnico pela empresa Líder Dedetização, Paisagismo e Apicultura.
Imagem: IA